Biografia

César Roversi

[Leme, São Paulo, 1979]

Saxofonista, compositor e arranjador. Bacharel em saxofone e formado em música popular e saxofone erudito, César Roversi é professor na Faculdade Mozarteum (FAMOSP) e foi integrante da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. Possui 5 discos gravados, sendo o disco Entre Linhas um marco em sua carreira solo. Por sua enorme versatilidade, transita com maestria entre o erudito e o popular.

O começo da carreira

Iniciou os estudos de música aos 7 anos na escola da Banda de Leme, cidade do interior do Estado de São Paulo. Prodígio, aprendeu a ler partituras antes mesmo de ser alfabetizado. Contava com o auxilio de sua mãe para a leitura do caderno de teorias.

Aos 8 anos, entrou para a mesma Banda como clarinetista e iniciou sua carreira musical com o apoio do pai e do maestro Hary Baciotti. As apresentações aconteciam aos domingos no coreto da praça central da cidade. O repertório era composto principalmente por choro, dobrado, maxixe, valsa e carimbó.

Aos 14 anos, iniciou os estudos de Clarinete Erudito no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí. Também por essa época, começou a tocar em bandas de baile do interior paulista e a participar de gravações de discos e jingles como músico e arranjador.

Referências em jazz e em improvisação e o Bacharelado em saxofone

Retornou à Banda de Leme aos 17 anos e passou a se dedicar aos estudos de improvisação. A trilha sonora do filme Bird (1988), de Clint Eastwood, cinebiografia do saxofonista Charlie “Bird” Parker, trouxe a César uma importante referência musical e o desejo de aprender a improvisar. Voltou ao Conservatório de Tatuí, desta vez para cursar Saxofone Popular e Improvisação. Com o curso, ampliou seus conhecimentos sobre jazz e harmonia, percepção, improvisação e técnica do saxofone voltada à musica popular.

Foi então que começou a estudar as escolas do jazz, como o bebop, o hard bop, o jazz moderno e o modal. Aprofundou-se na obra de John Coltrane e Miles Davis, sendo o primeiro sua maior fonte de pesquisa e influência no campo do jazz. Outra grande referência musical foi Dale Underwood, saxofonista norte-americano com quem teve a oportunidade de estudar. Por encantamento e influência de Underwood, César ingressou no curso de Saxofone Erudito em Tatuí.

Formou-se em Música Popular e Saxofone Erudito em 2000. Dois anos depois, tornou-se professor de Saxofone e Improvisação no curso de Música Popular do mesmo Conservatório, substituindo seu professor Vinícius Dorin. Em 2004, formou-se Bacharel em Saxofone pela FAMOSP.

O grupo Mente Clara e a imrovisação sobre os gêneros brasileiros

O período em que viveu em Tatuí foi de enorme relevância à carreira de César. Foi lá também que fez 4 importantes amigos – Fábio Leal, Rodrigo Digão (colocar nome correto), Federal (colocar nome correto) e Sérgio Frigério. Os músicos formaram um grupo de estudos que se encontrava diariamente na casa de Federal.

Era um laboratório de estudos de jazz moderno, com forte influência da escola de Hermeto Pascoal. O grupo mergulhou na obra desse grande artista e direcionou os estudos para a música tradicional brasileira, como o baião, o maracatu, o frevo e o caboclinho, dentre outros. O laboratório agora era de improvisação sobre os gêneros da música brasileira.

Do laboratório de estudos surgiu o grupo Mente Clara, nome escolhido em homenagem à canção homônima do mestre Hermeto Pascoal. Com o grupo, César gravou 2 discos autorais: “Mente Clara” (2005) e “São Benedito” (2009). A técnica de improvisação desenvolvida nesses trabalhos é levada por César a quase todos os trabalhos que executa desde então.

Foi também nesta época que César aprofundou seus estudos na obra de Pixinguinha e passou a conhecer verdadeiramente o choro. Seu amigo e conterrâneo Nailor “Proveta” Azevedo convida-o para participar da roda de choro no Villaggio Café, no centro de São Paulo. Com frequentes visitas à capital paulista, César começa a participar também de outras importantes rodas de choro.

A mudança para São Paulo

Em 2010, um novo cenário profissional se desenha e César muda-se em definitivo para São Paulo. Passa a dar aulas na FAMOSP e ingressa na Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.

Os desafios em sua carreira continuam a apontar para o erudito e o popular com igual intensidade. Em 2011, grava com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) a Sinfonia nº 4 (A Vitória), de Villa-Lobos. No mesmo ano, toca com Zé Barbeiro no lançamento do disco “No Salão do Barbeiro” no Sesc Pompeia.

O trio Código Ternário

Em 2012, César forma com Carrapicho Rangel (bandolim) e Gustavo Bali (pandeiro) o trio Código Ternário. O grupo, muito influenciado pelo choro, encontra também referências em outros rítmos, como o baião, o maracatu, a chula (típica do Rio Grande do Sul), a chacarera argentina e o jazz. A improvisação sobre esses estilos musicais é uma forte característica.

Com o trio, César se dedicar ao lançamento do primeiro disco, – Código Ternário – Intensidade, em março/abril de 2015 em Paris (FRA).

Com participação especial do gaitista Gabriel Grossi, a banda grava o segundo CD – Quarteto Ternário – que é lançado em uma turnê na Colômbia em 2017.

Em 2019, Código Ternário volta a fazer turnê, agora pelo Chile.

O disco “Entre Linhas”: o sax tenor retoma seu papel no choro

Em 2014, César fixa de vez seu saxofone na cena do choro com seu primeiro disco como auoral “Entre Linhas”, contemplado pelo Edital do ProAC de Gravação de Disco Inédito e Circulação de Espetáculos de Música Popular Instrumental.

Inspirado na obra de Pixinguinha e Benedito Lacerda, César devolve ao choro a função contrapontística do sax tenor em acompanhamento à melodia principal da flauta.

O sax tenor como contraponto à melodia principal da flauta foi introduzido no choro por Pixinguinha. Marco para o gênero musical, este fato mudou a forma de se tocar o choro e instituiu o contraponto como diálogo essencial para este gênero musical, tornando-se referência para a execução destas músicas.

Depois de algum tempo, essa inovação sofreu algumas alterações e as linhas contrapontísticas foram adaptadas para o violão 7 de cordas, que se apropriou inteiramente da função. A partir de então, esses instrumentos sofreram uma mudança de função no choro que permanece até a atualidade: o violão de 7 cordas é o responsável pelas linhas contrapontísticas e o sax tenor assume apenas a função de solista, estabelecendo, assim, uma nova identidade do gênero.

“Entre Linhas” retoma esta importante inovação da música brasileira e contribui para o estreitamento deste hiato evolutivo através das novas composições de choro. Com uma característica moderna e atual, os arranjos têm o intuito de evidenciar o diálogo entre o sax tenor e a flauta.

O disco conta com composições e participações ilustres de Nailor “Proveta” Azevedo e Toninho Carrasqueira, além da participação de Rodrigo Y Castro e da direção musical de Zé Barbeiro. A obra foi muito bem recebida pela crítica, tendo sido apontada pelo “Guia Folha”, do jornal Folha de S. Paulo, como um dos ótimos discos de música intrumental de 2014, recebendo avaliação máxima (cinco estrelas).

O concerto ao lado do mestre e a premiação do Grammy

Após anos de estudo e pesquisa, César recebe a função de formar o naipe de saxofones para uma apresentação da primeira formação de Hermeto Pascoal e Big Band. O concerto, que aconteceu em 2014 em Campinas (SP), foi o primeiro do artista ao lado de seu grande mestre.

Em 2017, é retomado o projeto idealizado por Thiago Gomes e liderado agora por André Marques, pianista do Hermeto Pascoal e Grupo há mais de 20 anos.

Com essa nova formação, é gravado o CD Hermeto Pascoal e Big Band – Natureza Universal – e em 2018 é premiado como melhor CD de jazz latino do ano.

CESAR ROVERSI © TODOS DIREITOS RESERVADOS.